Vivemos em uma sociedade apenativa – dado o fato ou o ato, de logo se buscar o culpado. E isso vem de longe, é bíblico. Quando, por exemplo, Deus perguntou a Adão sobre a maçã, ele respondeu que a culpa era de Eva, que, indagada, imputou responsabilidade à cobra.

Isso posto, tragamos a toada para o comércio, hoje respondendo por 12% do PIB nacional, sendo o varejista responsável por 43% de comércio geral (dados do IBGE-PAC-Bradesco). Eis a nossa participação na economia nacional.

Por essa razão, precisamos de políticas públicas direcionadas ao varejo, entre elas as taxas de juros competitivas, as reformas trabalhista e previdenciárias… O Congresso Nacional precisa legislar sobre esses temas, não pode esperar o Executivo provocar e deixar o Judiciário decidir as querelas demandadas, configurando-se o jogo do empurra-empurra no início descrito. Vivemos, na atualidade, certo acomodamento do Legislativo no cumprimento de seu papel institucional de promover reformas.

Por outro lado, a sociedade, que espera solução às suas demandas, pede tutela jurisdicional, judicializa ações. O Executivo vive momentos difíceis, do ponto de moral e ético. E o varejo, em meio a isso tudo? Não pode parar ou deixar-se amordaçar. Precisamos construir dias melhores, com os três poderes voltados à doutrina do respeito à tripartição, em conformidade com a doutrina de Barão de Montesquieu. Nós, os varejistas, fazemos o grande esforço de carregar o piano; damos o primeiro emprego, fazemos gerar ocupação e renda, recolhemos os impostos.
Devemos ser chamados à colação para colaborar e sentar à mesa, contribuir com ideias, ações e a participação efetiva nas mudanças à vista, agigantando o esforço da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) na perspectiva de corresponder ao chamamento da hora, empunhando bandeiras como a redução de juros, cadastro positivo e a capacitação, buscando contribuir com pré-reformas.

Otimismo é nossa bandeira. Precisamos animar consumidores, fornecedores e colaboradores. Em recente pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, com 822 empresários do comércio e serviços nos 27 estados federados, o resultado foi surpreendente: 58,8% dos varejistas consideram que 2017 será melhor para a economia. E isso já se sentir na baixa do dólar e taxas de juros; quanto à inflação, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do País, fechou janeiro em 0,38%. Foi a menor para o mês desde 1980.

Que as instituições cumpram o seu papel, e não busquemos culpados. Corramos à busca de resultados. Pois, parafraseando o hino nacional da Nação Lojista, varejista é ser assim: agir e lutar, reagir e vencer, construir, trabalhar.

Assis Cavalcante – assisvisao@secrel.com.br
[Lojista, advogado, presidente da Ação Novo Centro e diretor da CDL de Fortaleza]

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