Início de um novo ano e multiplicam-se as análises com projeções de cenários e simulações de conjunturas. Como é natural, a expectativa é grande.

O ano de 2018 promete a tão aguardada saída da recessão, mas também é ano de Copa do Mundo e de eleições gerais em todo o país.

Após uma das fases mais duras vividas pela sociedade brasileira, a expectativa de ter um alívio no bolso complementa-se com a urgência de que o país volte a trilhar caminhos menos polarizados na política.

Na área econômica, o otimismo tem base concreta. O avanço da economia no terceiro trimestre de 2017 animou e provocou revisões para cima dos indicadores. Nesse período, a economia no país cresceu 1,4% na comparação com o mesmo trimestre de 2016.

“Esse avanço foi possível diante das medidas adotadas pelo governo federal para tornar o país mais eficiente, menos burocrático e com mais riqueza. Especialistas e economistas têm respondido de forma positiva nos últimos meses”, afirma relatório publicado pelo Banco Central em dezembro.

De acordo com a instituição, a expectativa dos analistas é de que o Produto Interno Bruto (PIB) – soma de toda a riqueza produzida no país – avance 0,89% em 2017, ante estimativa anterior de 0,73%.

Para 2018, as projeções apontam para um crescimento de 2,60% da economia brasileira. Anteriormente, essa estimativa estava em 2,58%.

Outra projeção que indica que a economia nacional deve aumentar o ritmo de crescimento em 2018 e 2019 é da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Segundo a instituição, a estimativa para a expansão do PIB em 2018 subiu de 1,6% para 1,9%. A organização também destaca que a inflação está abaixo da meta, que tem centro em 4,5%. Isso permite taxas de juros menores, o que vai dar suporte à recuperação dos investimentos.

Comportamento esperado para o varejo

Diante de projeções do mercado que indicam um crescimento da atividade econômica em geral, como será o comportamento do setor varejista nesse cenário?

Para Cristina Helena de Mello, professora de Economia do Consumo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), dois movimentos devem ser considerados para essa análise:

“O primeiro é conjuntural. Anos eleitorais costumam ter melhora no resultado econômico e, embora o cenário de ajuste fiscal e a necessidade de implementar uma reforma previdenciária sejam contracionistas e o cenário político, de incerteza, a expectativa do mercado é de um crescimento acima de 2% do PIB. O segundo é estrutural e se trata das mudanças relacionadas às novas tecnologias. O varejo e o setor de comércio estão se redesenhando e introduzindo novas formas de fazer negócio. Ambos os drivers, conjuntural e estrutural, sugerem um cenário de maior conforto para o setor varejista em 2018”.

Para Sérgio Noia, sócio responsável pela área de Varejo e Indústria de Bens de Consumo da Éneas Pestana & Associados, os indicativos de retomada do consumo são claros, mesmo que ainda precisem ser encarados com cautela.

De acordo com o especialista, neste ano, a expectativa do setor também aumenta com as perspectivas de se verificar os reflexos da modernização das leis trabalhistas.

“O setor de varejo é um dos maiores empregadores do país, portanto o aumento das perspectivas de vendas para 2018 deve refletir em algumas atividades específicas que responderão às novas normas. O maior número de empregos gerados deverá vir não de novas lojas, mas, sim, daquelas que irão abrir novos pontos de venda. Por exemplo, um supermercado emprega em torno de cem pessoas em suas diferentes funções: padeiro, confeiteiro, açougueiro, repositores, encarregados, atendente de frente de caixa; são funções que podem refletir as mudanças da reforma trabalhista”, avalia Noia.

A urgência da reforma previdenciária e a simplificação da carga tributária também são apontadas como essenciais para que a expectativa de crescimento econômico concretize-se efetivamente.

Cristina destaca que mudanças estruturais contribuem significativamente para a melhoria do ambiente de negócios, principalmente para novos investimentos. Outro ponto relevante para encarar o ano é compreender o comportamento do consumidor.

“É preciso entender que os últimos anos refletiram em uma mudança no perfil de consumo no Brasil, com um consumidor mais exigente e seletivo. Os clientes estão sendo atraídos por outros tipos de experiência que podem ser oferecidos e o comércio vem se adaptando para atuar em novos formatos. Uma categoria que pode ilustrar essa mudança de atitude do consumidor é o ramo de cervejas especiais, em que se priorizam mais o valor e menos a quantidade, com foco no valor agregado do que está sendo vendido”, indica Noia.

Influência política

Uma das principais lições do ano de 2017 foi o esforço empregado para deslocar a crise econômica do cenário político. Aparentemente, o país está consolidando essa tendência.

“O empresariado, em geral, tem pouca dependência do meio político, exceto aqueles que conseguem benefícios setoriais. No caso do segmento varejista, se o governo não atrapalhar, o segmento caminhará bem. Os maiores impactos nas vendas estão na questão do medo do desemprego e de notícias negativas sobre a política propagadas pela mídia, que deixam o consumidor retraído e segurando o consumo”, analisa Noia.

Já Cristina aponta que um cenário de instabilidade política normalmente vem associado a uma retração no comportamento de compra dos consumidores, que costumam adiar seus projetos e decisões.

“Além disso, a instabilidade econômica tem reflexos esperados de maior volatilidade no câmbio. Será importante se proteger das variações cambiais, em especial aqueles que trabalham com importação/exportação. Apesar da baixa taxa de juros, a administração de estoques com eficiência ganha destaque”, sugere a economista.

Dicas para começar

Para aqueles que pretendem empreender neste ano, o professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper, Marcelo Nakagawa, selecionou algumas atividades que podem ajudar a emplacar um novo negócio. Confira as dicas:

Leia muito. Normalmente, empreendedores são leitores vorazes, principalmente de livros. É a forma mais barata, rápida e conveniente de aprendizado. Há algum tempo, Bill Gates divulga uma lista dos melhores livros que leu no ano; que tal segui-la?

Faça cursos. Para empreendedores de primeira viagem, antes de entrar no mar é preciso aprender a nadar. Além do conhecimento, você cria uma rede de contatos que será muito importante durante todas as fases do negócio. Veja aqui algumas dicas de cursos!

Conheça e participe de hubs de empreendedorismo. Em várias cidades do país, em especial nas capitais, surgiram locais que concentram empreendedores. São coworkings, aceleradoras ou centros de empreendedorismo de faculdades. Também fique atento aos eventos.

Tenha mentores. Algumas iniciativas oferecem mentores, como a Endeavor, Inovativa Brasil, Startup Brasil, programas de start-ups de grandes empresas e aceleradoras, mas, neste caso, é preciso passar por um processo seletivo. Se não for o caso, faça uma relação de conhecidos que poderiam orientá-lo. O LinkedIn pode ajudar no contato de profissionais que não estejam na sua rede direta.

Aprenda a planejar seu novo negócio. Para quem pensa em empreender atualmente, é obrigatório conhecer abordagens como Value Propositon Canvas, Business Model Canvas, Lean Startup, Customer Development, Design Thinking, além de ferramentas tradicionais como plano de negócio e modelagem financeira.

Tenha sócios complementares. Vários grandes negócios começaram com dois sócios: um com muita habilidade em vendas e outro com grande capacidade de execução. Se estiver começando algo e não for a pessoa que vende ou a que entrega, preocupe-se.

Fonte: Varejo S.A

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