Assis Cavalcante fala sobre seu otimismo para 2018

O presidente da CDL de Fortaleza, Assis Cavalcante, concedeu entrevista ao jornal O Estado e disse que o Brasil está retomando o crescimento econômico, o que é de grande relevância para o comércio varejista.

Ele afirmou estar otimista com os números observados no fim do ano passado e no primeiro mês deste ano, mas há uma forte preocupação com a taxa de desemprego, que ainda está elevada, com quase 14 milhões de pessoas à procura de uma ocupação.

Dono da rede Óticas Visão, ele ressalta que os lojistas e seus colaboradores precisam ter criatividade, ousadia e qualificação, para se adaptar às novas tendências de mercado.

O EstadoA CDL de Fortaleza é uma instituição muito importante, pois congrega milhares de empresas. Como está o nosso varejo, hoje?

Assis Cavalcante – Temos percebido que de dezembro para cá as vendas melhoraram, não substancialmente, mas em relação aos demais meses do ano passado. Percebemos, também, que de meados do ano passado para cá, melhorou o ânimo das pessoas, considerando que no momento em que o brasileiro percebeu que a política estava se desvencilhando da economia, esta última começou a fluir. Não como nós precisamos, como seria o ideal, mas já começou a dar sinais de expectativas melhores. Animou o mercado, animou o consumidor. As pessoas perderam mais aquele medo do desemprego do pai, da mãe., e voltaram a consumir. Não tanto, mas já melhorou alguma coisa.

OEE como está a situação dos lojistas que trabalham no Centro de Fortaleza?

AC – O centro da cidade, por excelência, que é o maior centro comercial Estado do Ceará, onde existem 7.800 empresas, com 64.250 pessoas trabalhando todos os dias, precisa de uma guarnição, uma segurança maior. De forma que isso vem sendo muito bem feito pela Polícia Militar e pela Polícia Civil e, hoje, nós temos em torno de 240 homens e os assaltos às relojoarias, às óticas de outrora, realmente acabaram, não tem mais. Dessa forma, estamos muito satisfeitos com essa guarnição do Centro de Fortaleza.

OE – Então, as polícias Civil e Militar e a própria Guarda Municipal têm solucionado alguns problemas, como a feira da Rua José Avelino, que afetava muito o setor lojista?

AC – Exatamente. São dois grandes parceiros, o Governo do Estado e a Prefeitura de Fortaleza, que ordenou e melhorou o fluxo para o Centro, ali, com a José Avelino, como também a questão do horário estendido, cuja lei foi promulgada no apagar das luzes do ano passado e que estamos implementando aos poucos este novo hábito ao consumidor, de vir às lojas do Centro e também aos shopping centers em horário mais estendido e isso deveremos sentir daqui a alguns dias, alguns meses, uma melhora nas nossas vendas. Considerando que loja fechada não vende.

OEO senhor foi, nos últimos anos, o coordenador das ações de Natal da CDL de Fortaleza, que sempre surtiu um efeito bastante positivo. E este ano o senhor, como presidente, continuará à frente do Natal de Luz?

AC – Quando você fala do Natal de Luz você percebe que eu fico logo feliz. Na verdade este é um evento que já vem há 21 anos. Ano passado foi o 21o. O doutor Pio (Rodrigues) passou 17 anos e eu vou completar cinco, agora em 2018. É um evento muito importante para a nossa cidade, para o lojista, porque tem um cunho socioeducativo muito forte, no que diz respeito à inclusão social pela música. A gente fala daquele coral com 130 crianças que se apresenta no Hotel Excelsior e que também tem um compromisso com o meio ambiente, pois distribuímos cerca de 100 mil mudas, entre frutíferas, ornamentais e medicinais, que são trocadas por garrafas pet. Ano passado, retiramos duas toneladas e meia de garrafas pet do meio ambiente. Todo esse material é recolhido e entregue à Enel, que dá um crédito em energia elétrica que a instituição que cuida das crianças do coral utiliza até meados do ano seguinte.

OE Que outras ações são desenvolvidas na área sociocultural?

AC – Nesse ano que passou, fizemos um trabalho muito bacana junto ao Cineteatro São Luiz, que é um equipamento fantástico, belíssimo, que a população está usando e precisa usar cada vez mais. Fizemos três apresentações – um balé, um musical e uma peça teatral em três dias subsequentes, que teve um resultado extraordinário.

As pessoas foram, gostaram, aplaudiram. E fizemos também um concurso de fotografia, para interagir com as pessoas através do telefone celular que está nas mãos de cada um. E uma projeção que nós fizemos, na fachada do Cine São Luiz, falando sobre o uso racional da água, que teve 5,3 milhões de visualizações em todo o mundo. Então, isso foi muito gratificante, poder colaborar com essa mensagem do uso racional da água, não só para a população do Ceará, que é um Estado que realmente precisa muito de água, mas também para o restante do Brasil e do mundo.

OE – E quais são os seus projetos para este ano de 2018 à frente da CDL?

AC – A CDL é uma instituição muito bem creditada pela sociedade, não só pelos lojistas. E estamos com algumas propostas, que vamos implementar com o poder de Deus e Nossa Senhora. Já temos alguns eventos que são do nosso calendário, como o Lojista do Ano, a Fortaleza Liquida e o Cenários do Varejo que se avizinha a nova apresentação. Mas, temos um projeto para incrementar a área do Centro da cidade, no que diz respeito a levar uma programação de shows, de eventos, para que as pessoas passem a frequentar o Centro, como outrora era frequentado.

E a nossa proposta para a CDL, na vigência da minha gestão, é levar projetos inovadores, que atraiam pessoas para o Centro da cidade. Mas eu não posso ser um presidente da CDL do Centro. Temos de ver outras situações. Tanto que temos visto também com os shopping centers propostas também no que diz respeito ao horário de funcionamento, fazermos juntos campanhas promocionais para termos uma linguagem só. E temos um grande desafio que é a questão do Black Friday, que acontece na última sexta-feira de novembro e, em decorrência disso, as vendas do Natal as pessoas estão trazendo para esta data e isso não tem sido muito bom, pois os descontos da Black Friday são muito grandes.

OE Acaba atrapalhando o desempenho das lojas na melhor data para o varejo?

AC – Exatamente. Então, estamos conversando para ver como encontraremos uma solução para trazermos essa promoção para outra data, mais cedo, por exemplo, setembro, que é considerado o fevereiro do segundo semestre. Essa casa tem muitos projetos, quase todo tem eventos.

OE E no que diz respeito à qualificação profissional, como está?

AC – Temos a Faculdade CDL que estamos dando uma nova roupagem, pois entendo que a educação é primordial para o ser humano e o varejo também, pois sem ela não conseguimos acompanhar a tecnologia. Então, temos de ter pessoas em frente de loja que conheçam o produto, as técnicas atuais de venda, corroborando também com a tecnologia que está sendo imposta a toda hora. Então a faculdade tem um papel primordial em capacitar o lojista e seus colaboradores, visando a um melhor atendimento de ponta. Considerando que nós, cearenses, somos muito guerreiros com relação à disputa comercial, não basta você ter uma formação somente embasada nas experiências, mas sim através também do conhecimento científico.

OE – Uma qualificação diferenciada, voltada para o setor do varejo?

AC – Acabou aquela história de outrora, do tipo esse menino não gosta de estudar. Então bota para ser vendedor. Não existe mais isso. O vendedor, hoje, é um profissional, que recebe todas as informações, os treinamentos. E o lojista também é capacitado no sentido de que precisa implementar ferramentas e técnicas novas de abordagem e demonstração de produtos. Nossa preocupação com o empresário é que ele desperte para isso e passe a capacitar o seu quadro funcional. E temos ainda o hub que está chegando ao aeroporto e tudo isso entendemos que o turismo vai aflorar mais, beneficiando mais o Estado do Ceará. Para se ter uma ideia, em julho do ano passado, recebemos 380 mil turistas em Fortaleza. Com a implementação do hub, certamente, vamos usufruir de tudo isso. Teremos mais empregos, mais renda.

OE – Além disso, serão turistas qualificados?

AC – Certamente. É por isso que precisamos de um Centro melhor ordenado, no que diz respeito aos camelôs. Não somos contra eles, mas é preciso que sejam ordenados. É uma situação que precisamos resolver, tratando isso com o poder público. Precisamos formar o corredor turístico Praia de Iracema, Dragão do Mar, Centro. Monsenhor Tabosa. A Monsenhor Tabosa tem um potencial de moda muito grande e já está aproveitando esse momento de horário estendido para fazer mais negócios, com as lojas abertas até mais tarde.

OEO desemprego no Brasil ainda está alto. E isso afeta, diretamente, o setor varejista, não é?

AC – A pessoa desempregada não tem poder aquisitivo, então, não gera consumo. Isso é uma preocupação muito grande nossa, porque precisamos manter as empresas funcionando, o pagamento dos impostos para que sejam revertidos em benefícios para a sociedade. No entanto, chega um momento em que a gente não tem como controlar o que está ocorrendo no País. Mas no que depender desta Casa e dos lojistas, vamos segurar os empregos enquanto nós pudermos. Dada a premissa que desempregado não compra.

OEE se o comércio não vende, atrapalha também a indústria.

AC – Atinge toda a cadeia produtiva, como a indústria, os serviços e, também, a arrecadação. O Governo fica apenado em razão disso.

OE Quais as suas expectativas para este ano de 2018?

AC – O empresário lojista tem de ser sempre otimista, acreditar em dias melhores. Isso é a nossa essência e buscamos implementar nossas ações nesse sentido. Esse ano, participamos da NRF em Nova Iorque e passamos uma manhã com investidores americanos que têm investimentos no Brasil e querem investir cada vez mais aqui. Eles acreditam muito em nosso País. Essa reforma trabalhista que foi feita deu um plus muito grande na visão deles com relação ao Brasil. É voz corrente que precisamos fazer a reforma previdenciária e ter uma eleição presidencial bem definida, alguém comprometido, que venha a atender aos anseios da população.

No entanto, cada empresário, cidadão, tem de fazer o seu dever de casa. Então nossa perspectiva é de um crescimento bom, pois se o PIB vai crescer cerca de 3% este ano, o que é muito bom, as vendas do varejo devem cresce de 5% a 6%.

OEHá algum tempo muito se falou do e-commerce, que iria acabar com as lojas físicas. Isso pode ocorrer?

AC – Até uns três anos, nas palestras todos diziam que as lojas físicas iriam acabar, ficando apenas as on line. Então foram criadas estratégias de tecnologia, para manter o consumidor dentro das lojas físicas e elas não acabaram. Então, acreditamos que elas são complementares.

OE – E qual a sua mensagem final?

AC – Uma coisa muito importante é que o Estado e o Município estão com as suas folhas de pagamento em dia, pois isso repercute diretamente no comércio. Se olharmos o Rio de Janeiro, o Rio Grande do Norte e o Rio Grande do Sul, a gente fica com dó. Mas peço a Deus que me dê inteligência, forças e ânimo para que eu possa conduzir esta Casa de maneira mais racional, humanizada e que tenhamos uma eleição onde possamos colocar um governante na esfera federal, que venha ao encontro de atender às nossas necessidades. Um 2018 melhor para toda a nossa sociedade.

Fonte: Jornal O Estado

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