“NE pode se beneficiar do novo momento da economia do País”

O discurso de que a economia brasileira está em um novo momento, de crescimento, foi reforçado pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles em fala aos empresários cearenses na tarde da última sexta-feira (23).

O ministro assegurou que o foco de seu trabalho atualmente é a economia do País e, o mais importante aos presentes: o Nordeste brasileiro deve contar com mais oportunidades de desenvolvimento neste novo cenário econômico.

“O Nordeste tem tudo para se beneficiar nesse momento porque a economia brasileira começou a crescer. Nós atravessamos – é importante mencionar isso – a mais profunda e longa recessão da história do Brasil, maior que a grande depressão de 1929. E, mediante todas essas reformas que estão sendo e que já foram aprovadas, como é o caso da reforma trabalhista, a economia brasileira começou a se recuperar”, declarou o ministro em evento promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide) Ceará, Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e CDL de Fortaleza.

Meirelles reafirmou que “estamos, de fato, numa trajetória de crescimento”, e disse ser “muito provável” que “o Nordeste pode se beneficiar disso, na medida em que a Região tem uma capacidade de crescer aproveitando que o Brasil está crescendo e, quem sabe, possa crescer até mais que a média nacional”.

Compromissos assegurados

Provocado pelo presidente da CDL de Fortaleza, Assis Cavalcante, que falou da importância de reverter o veto presidencial “que trazia em seu conteúdo a regularização tributária das micro e pequenas empresas optantes do Simples Nacional, pois mais de 600 mil empresas estão prestes a irem queimar no fogo do inferno da informalidade”, o ministro da Fazenda reiterou o compromisso com os empresários cearenses de promover a Reforma da Previdência – o tema mais pedido pelos líderes durante o evento.

Meirelles afirmou que o tema terá o foco necessário, mesmo com a intervenção federal ainda vigente no estado do Rio de Janeiro e que os planos são de votar o projeto ainda neste ano.

O ministro também ouviu os apelos da presidente do Lide Ceará, Emília Buarque, para que o governo não opte por mais impostos como solução para o caixa federal.

Em resposta, ele apresentou índices do Tesouro Nacional que mostram a recuperação do Brasil e também do Ceará, o qual atingiu maior variação na razão entre Investimentos e Receita Líquida Corrente.

Fez parte da apresentação do ministro ainda a promessa de otimizar procedimentos relacionados ao cotidiano burocrático das empresas, as quais tem de dedicar mais de 2.600 horas somente para pagar impostos.

Ao minimizar o rebaixamento da nota do Brasil pela agência de risco da Fitch, ele também apontou a importância da Lei do Teto dos Gastos para o País.

Ações e bolha

Sabatinado pelos empresários cearenses após a apresentação, Meirelles tratou de questões importantes para a economia brasileira e mundial, atualmente, demonstrando a interpretação do governo federal.

Entre elas, afirmou observar com atenção a alta valorização das ações nas bolsas de valores brasileira e internacionais, especialmente nos Estados Unidos, apontando uma expansão maior que quando houve o crash de 1929.

No entanto, mesmo com esse comportamento identificado, ele afastou a possibilidade de bolha na economia mundial, apontando a existência de uma economia forte.

“Teremos uma correção desses valores, mas sabe-se que será uma correção suave, e não turbulenta”, avaliou, indicando a necessidade de essa mudança “ser muito bem articulada pelos investidores”.

PIB e administração pública

Sobre a retomada de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, o ministro ressaltou mais uma vez o crescimento da economia brasileira previsto para 3% neste ano, e condenou a administração de componentes para alcançar esse resultado: “o importante na economia é não mexermos numa ou outra variável. O governo anterior tentou isso e só deu problema. Desorganizaram a economia”.

Ele defendeu uma aperfeiçoamento da chamada Regra de Ouro da Economia – dispositivo impede a emissão de dívida pelo governo para o pagamento de despesas correntes -, e rechaçou qualquer possibilidade de rever a lei de responsabilidade fiscal.

“Acho que o momento de alterar essa lei não é agora porque ainda estamos vivendo uma situação fiscal difícil no Brasil, e nos estados, principalmente, no Sul e no Sudeste. É importante não mexer porque pode se perder o controle”, observou.

Crédito

Já sobre a participação dos bancos públicos na dinâmica do crédito rotativo operado pelos bancos privados varejistas nos cartões de crédito, Meirelles afirmou que o primeiro passo foi dado, referindo-se à política de juros do Banco Central. Para ele, a baixa operada na Selic deve ser adotada e liderada pelos bancos públicos.

“Agora, o crédito rotativo no Brasil é caríssimo, mas tende a ser mais caro em qualquer país do mundo. Portanto, o consumidor tem que usar o crédito rotativo em uma situação de acidente. Se ele está precisando de dinheiro deve tomar outras formas de crédito. Mas é muito grande o trabalho e temos muita coisa a fazer nessa questão da tomada de crédito”, admitiu.

O que eles pensam

Setores levaram demandas

“É uma grande oportunidade trazer o ministro da Fazenda aqui à nossa Terra da Luz, para ele mostrar suas propostas, caso queira realmente ser presidenciável. Também os empresários têm a oportunidade de fazer perguntas, de conhecer melhor o que ele pensa, caso venha a ser presidente”.

Igor Queiroz
Diretor institucional do Grupo Edson Queiroz

“Nosso setor procura defender que, no que diz respeito ao Nordeste, ele (ministro) enxergue a possibilidade de um tratamento de juros diferenciado para ter mais emprego e renda no Nordeste. Queremos que dê continuidade aos trabalhos, colocando a economia nos trilhos, baixando a inflação”.

Tom Prado
Diretor do Lide Agronegócio-Ceará

“Nossa pauta, como empresários, é que, neste momento em que temos uma intervenção federal (no Rio), que há um caminho para a economia ser consistente, que não seja pelo aumento de impostos. Que seja pela contenção dos gastos públicos, pois a máquina continua muito inchada”.

Emília Buarque
Presidente do Lide-Ceará

“Coloquei que essa questão da mudança da regra de ouro não pode ser usada para aumentar despesa. Se ela for utilizada para aumentar investimento, tudo bem. Agora, provavelmente muitos vão utilizar a mudança para usar investimento e pagar aumento de despesa e eu acho que tem que ser o inverso”.

Maia Júnior
Titular da Secretaria do Planejamento (Seplag)

“A única coisa que questiono é a velocidade da retomada do desenvolvimento econômico, muito lenta. Sou contra qualquer colocação de providências que não tenham sustentação. Estamos incomodados com a lentidão, mas entendemos que faz parte da retomada do desenvolvimento”.

Beto Studart
Presidente da Federação das Indústrias (Fiec)

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